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Violinista que sofreu acidente volta a tocar com tecnologia criada por brasileiro

by André Marques dos Santos 285

Uma violinista que perdeu os movimentos após um acidente de carro há 30 anos voltou a “tocar” usando uma tecnologia envolvendo ondas cerebrais. À frente dela está o brasileiro Eduardo Miranda, professor na Universidade de Plymouth, na Inglaterra, que se dedica há anos a pesquisas que combinam música, computação e biologia de forma a possibilitar que pessoas com deficiências possam se expressar musicalmente.

Rosemary Johnson não consegue mais se mover ou falar, mas usando sensores acoplados à sua cabeça conseguiu selecionar notas exibidas em uma tela – que foram, tocadas, então, em tempo real, por uma antiga colega, a violinista Alison Balfour-Paul.

“Na primeira vez que fizemos um teste com a Rosemary, fomos às lágrimas. Podíamos sentir a alegria vindo dela”, lembrou o brasileiro, que também é compositor de música clássica contemporânea.

“Quando vi Rosie pela primeira vez, algo estalou. É muito interessante trabalhar com ela. Uma vez que ela é uma musicista clássica, não preciso perguntá-la muitas coisas. Por meio da tecnologia, estamos quase instantaneamente trabalhando no domínio da comunicação musical”.

“Trabalhar com ela está nos ajudando a desenvolver e formatar esta tecnologia. É uma mistura maravilhosa entre ciência e criatividade”, diz Eduardo Miranda.

Tecnologia em desenvolvimento

Segundo Eduardo Miranda, a tecnologia, cujo desenvolvimento tem parceria do Hospital Real para Deficiências Neurológicas em Londres, vem sendo estudada desde 2003 com uma equipe de engenheiros e profissionais da área da saúde.

“A ideia surgiu quando eu li uma notícia que cientistas estavam desenvolvendo métodos para controlar máquinas usando sinais elétricos cerebrais, chamados eletroencefalogramas. Eu achei a ideia fascinante e comecei a investigar a possibilidade de usar esse tipo de tecnologia para criar instrumentos musicais eletrônicos”, lembra o brasileiro.

“No início, minha intenção era de desenvolver uma especie de estetoscópio cerebral para escutar e gravar os sinais elétricos do meu cérebro”.

Aí Miranda conheceu Wendy Magee, uma médica australiana que trabalha com terapia musical para pacientes severamente paralisados, e resolveu focar o projeto em pessoas nessa situação. Agora, o professor conta que a tecnologia ainda tem um longo caminho de aperfeiçoamento pela frente e deve chegar ao Brasil.

“Estou em contato com algumas instituições brasileiras para ver se podemos mostrar o trabalho no país no ano que vem. Mas, o trabalho não está pronto ainda para ser usado mais amplamente. Tem muito a ser feito para resolver varios problemas técnicos e práticos”, disse o brasileiro, que afirma depender da disponibilidade de colaboradores e de financiamento para seguir em frente com a tecnologia.

[Reflexão] Começamos com a música, mas até onde conseguimos chegar com esse tipo de tecnologia?

Via
www.bbc.com

André Marques dos Santos

Uma pessoa viciada em tecnologia, formado em Farmácia-Bioquímica pela USP e com muito afinidade pelo empreendedorismo. Procuro ampliar meus conhecimentos seja através de livros, cursos ou até mesmo ajudando outras pessoas e me desafiando durante esse processo. Atualmente amplio meu conhecimento em gestão e desenvolvimento de negócios para poder ajudar startups crescerem no mercado da saúde.