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O que a saúde pode aprender em um evento de blockchain? [Parte II]

by André Marques dos Santos 202

Segunda parte do nosso conteúdo sobre o BLOCKSPOT CONFERENCE LATAM 2018. Durante o painel de saúde foram trazidas diversas reflexões e provocações. O ponto mais importante de toda discussão na nossa opinião foi o porquê ainda não vemos uma aplicação em larga escala, principalmente preocupada com a interoperabilidade dos dados, na área da saúde e a resposta foi simples e unânime entre os participantes do painel, a falta de interoperabilidade hoje gera a “fidelização” do cliente, seja em um hospital, seja em uma clínica, ou até nas farmácias. A consequência dessa não interoperabilidade é o aumento dos custos para as organizações de planos de saúde e para o governo, pois ao não ter o histórico de um paciente, muitas vezes é necessário que diversas ações sejam refeitas.

Um outro ponto que foi levantado é “até quanto” um usuário leigo pode inserir seus dados e deixá-los disponíveis, pois isso traz a responsabilidade para o paciente e caso ocorra um erro devido a uma decisão baseada nesses dados, de quem seria a responsabilidade? Do médico do paciente?

E em todos os desafios foi questionado, na opinião dos painelistas, qual seria o player que teria mais oportunidades para adotar a tecnologia blockchain. Eles trouxeram que as operadoras são grandes candidatas a iniciarem esse processo, principalmente devido a semelhança com instituições financeiras e de seguro que já desenvolveram certa maturidade na utilização e isso poderia diminuir as barreiras para implementação no mercado de operadoras.

Na opinião do ATsaúde o governo seria o principal interessado na aplicação, principalmente pelo fato de ter o histórico do paciente em qualquer instituição, sem contar que esses dados sendo públicos e não identificados, podem agregar muito para estudos epidemiológicos e utilização em outras áreas.

Como grande case temos a Estônia que conseguiu aplicar o blockchain na área de saúde (ficou curioso conheça o projeto e-estonia). Lógico que temos um desafio muito maior quando falamos do Brasil, pelo tamanho, pela infraestrutura e por aí vai, mas se temos desafios, temos oportunidades! Empreendedores e desenvolvedores, cadê vocês?

Esse desafio a nível Brasil, me lembrou de uma palestra que participei na Hospitalar 2018, na qual o Dr. Edson Amaro, responsável pela área de big data analytics do Hospital Albert Einstein, fez uma provação, “ouve-se muito falar sobre aplicação do blockchain para empoderar o paciente com a posse dos seus dados, mas porque não utilizar o blockchain para permitir a troca de informações entre instituições, não necessariamente o histórico de um paciente, mas sim informações de cunho epidemiológico e de tratamentos, possibilitando que o conhecimento seja difundido entre as diversas instituições de saúde”.

Os painelistas foram questionados sobre a adoção pela indústria farmacêutica e eles acreditam que a grande barreira hoje para adoção por parte desse player é que a “transparência” que o blockchain possibilita, poderia expor as estratégias de cada empresa.

E muito se fala do “futuro” da saúde através do uso de blockchain, mas esse futuro já é presente!

Como exemplo temos:
healthureum – A solução baseada em blockchain é um ecossistema dinâmico e multifuncional, desenhado para oferecer serviços em assistência médica inovadores, transformando a forma como cuidamos da nossa saúde. A Healthureum garante aos seus usuários acesso a médicos e especialistas, infraestrutura médica de qualidade e oportunidade de acessar tratamentos inovadores inéditos, incluindo programas de patrocínio filantrópicos.
healthbank – primeira plataforma de armazenamento de dados médicos de propriedade do cidadão no mundo
farmatrust – sistema de rastreamento global eficiente, seguro, criptografado e imutável que fornecerá segurança às empresas farmacêuticas, governos, reguladores e ao público, de que medicamentos falsificados não entrarão na cadeia de fornecimento.
medicalchain– a plataforma visa utilizar o Blockchain para melhorar o armazenamento de registros de saúde. As diferentes instituições, como médicos, hospitais, laboratórios, pesquisadores e seguradoras de saúde, poderão solicitar permissão para acessar o registro de um paciente para fornecer seus serviços e registrar as transações no livro-razão.
synthiumhealth – é uma plataforma de gerenciamento de supply chain projetada exclusivamente para o setor de assistência médica.
solve.care – Solução global blockchain para coordenação, administração e pagamentos na área de saúde.

Hierarquização de acesso, blockchain e saúde!

O fato do blockchain não gerar uma cópia, mas sim possibilitar acesso aos dados brutos, traz transparência e permite identificar quem acessou os dados do paciente. Isso permite a rastreabilidade de quem acessa, gerando assim um log que é possível ser rastreado.
Mas um ponto que ainda precisamos criar consciência, são que os dados de saúde, de forma consolidada, geram conhecimento para saúde pública, o que permite a criação/direcionamento de melhores políticas, então é importante que entendamos isso e que os dados não sejam só nossos, mas sim da população (lógico que esse dado deve ser anônimo, porém com informações epidemiológicas que agregariam para a população).

Por isso essa discussão é muito importante, quais dados devem ser públicos e quais dados devem ser privados? Você já parou para pensar isso sobre os seus dados de saúde?

Conclusão

Depois de passarmos esses dois dias de imersão no evento de blockchain fica evidente que ainda existe muitos desafios em relação a tecnologia em si, questões técnicas e financeiras para viabilizar a mesma, além de que, blockchain não resolve tudo, ou seja, o ponto mais importante, e isso se aplica para qualquer projeto de tecnologia em qualquer setor, é ter uma definição clara do seu problema e quais são os prós e contras de cada tecnologia para ele, não é porque o blockchain está evidente na mídia, que necessariamente precisamos utilizá-lo em nossos projetos.

Específico no setor da saúde, nós do Portal ATsaúde acreditamos que as principais aplicações serão em processos gerenciais antes de qualquer outro ponto, principalmente quando falamos de players que possuem diversos stakeholders e esses precisam se relacionar entre si ou precisam de informações uns dos outros. Empoderar o paciente é importante em toda essa trajetória, mas acreditamos que antes disso precisamos trazer transparência aos processos em saúde, sejam em hospitais, operadoras, secretarias de saúde, etc e consequentemente com essa transparência, permitimos que mentes inquietas utilizem esses dados (sempre de forma anônima) para gerar grande benefício para a população, através de insights que talvez pessoas envolvidas no processo não tenham tido.

Se você tem um projeto, mas ainda está em dúvida se o blockchain seria uma boa escolha, entre em contato que podemos ajudá-lo.

Tem um projeto na área de saúde que utiliza blockchain? Mande um release pra publicarmos aqui no portal.

Confira a Parte I

[bônus I] Recentemente me deparei com uma publicação no linkedin que discute um assunto muito interessante e ao mesmo tempo polêmico e que foi falado durante o evento, mas de forma mais sucinta, é a questão de que se diversos players usam nossos dados para gerar renda, porque nós mesmos não podemos nos beneficiar disso? (inclusive alguns exemplos que trouxemos tem esse ponto no modelo de negócio). Ficou curioso? Veja o conteúdo na íntegra.

[bônus II] Tem interesse no assunto e quer conhecer mais? Seguem alguns materiais:

https://applicature.com/blog/blockchain-healthcare-smart-contracts-2

https://www.prolifics.com/blog/healthcare-blockchain-how-smart-contracts-could-revolutionize-care-delivery

[pdf] https://www2.deloitte.com/us/en/pages/public-sector/articles/blockchain-opportunities-for-health-care.html

[pdf] https://www.ibm.com/blogs/blockchain/2017/01/blockchain-momentum-rallies-healthcare/

André Marques dos Santos

Uma pessoa viciada em tecnologia, formado em Farmácia-Bioquímica pela USP e com muito afinidade pelo empreendedorismo. Procuro ampliar meus conhecimentos seja através de livros, cursos ou até mesmo ajudando outras pessoas e me desafiando durante esse processo. Atualmente amplio meu conhecimento em gestão e desenvolvimento de negócios para poder ajudar startups crescerem no mercado da saúde.