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Inovação além das moléculas: a chave para a nova indústria farmacêutica

by André Marques dos Santos 164

Através do linkedin encontrei uma publicação da Carolina Wosiack sobre a mudança do foco da inovação da industria farmacêutica, é interessante que esse tema vem na linha das nossas últimas publicações sobre transformação digital, porém agora focado na industria farmacêutica (lembra do whitepaper que traduzimos?), a seguir seguem alguns trechos que achamos pertinentes sobre essa publicação.

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Tradicionalmente, o mercado farmacêutico é uma indústria de inovação. Durante décadas, o setor foi referência quando se falava em investimento e implementação de novas tecnologias, principalmente na produção e desenvolvimento de novas moléculas. O novo sempre foi bem-vindo quando se tratava de pesquisas biológicas, desenvolvimento de novos produtos e proteção de patentes, porém, tendia a ser refreado quando o assunto era mudar os rumos da tecnologia da informação. Talvez por isso ele venha tratando a transformação digital com tanta relutância.
Entretanto, é possível combinar os objetivos históricos da farma em termos de P&D com a revisão das estratégias de negócios (assim como da cultura), a partir de uma ótica digital. Os lançamentos de novos medicamentos com velocidade, qualidade e relacionamento eficiente com toda a cadeia da saúde, na verdade, podem ganhar muito se vistos sob a perspectiva das inovações tecnológicas.

A mesma indústria, novos desafios

Pensando em termos de Brasil, a indústria farmacêutica opera em diversos setores com as mesmas práticas usadas no passado. O processo de decisão sobre a pesquisa de fármacos, assim como os métodos de contato com stakeholders importantes, como médicos e hospitais, seguem os mesmos parâmetros determinados com sucesso no século XX. Uma das razões para essa resistência à mudança pode ser devido ao fato de que este segmento, por tratar com vidas humanas, é naturalmente avesso a riscos.
Entretanto, os desafios mudaram. Hoje, não basta apenas executar estratégias altamente eficientes para desenvolver moléculas inovadoras, acessíveis e eficazes, é preciso oferecer melhor acesso e aderência aos tratamentos, para um público que conta com mais opções em um mercado competitivo e extremamente regulamentado.
Para não ficar para trás, a indústria farma precisa expandir seus horizontes. Algumas soluções que já vem mudando o setor são o aprimoramento de tratamentos personalizados e o desenvolvimento de um mercado de prevenção. Mas será que isso é suficiente? Acredito que não. É preciso repensar o negócio farmacêutico a partir de uma visão que tem o digital como base.

Como a transformação digital pode mudar esse cenário

Pensando a partir das bases do Lean Digital Transformation, que busca uma cultura de agilidade e soluções eficientes para novos modelos de negócio, fundamentada na reformulação processual, operacional e de gestão, a indústria farmacêutica tem possibilidades infinitas. Uma delas é o uso de Big Data e Analytics.
O setor de saúde gera grande volume de dados diariamente, originados a partir de prontuários, receituários e compras de medicamentos. Eles trazem informações ricas, com capacidade de gerar valor para toda a cadeia. Mesmo com o desafio de compilar esses inputs muitas vezes desconexos (muitos prontuários são preenchidos e digitalizados diariamente, porém, as informações não são centralizadas, permanecendo em suas fontes de origem como um hospital ou consultório médico, por exemplo), o cruzamento desses detalhes sobre os pacientes dá agilidade e precisão ao diagnóstico e, consequentemente, na prescrição de tratamentos mais eficazes.
Mesmo que a legislação brasileira não permita que a indústria farmacêutica tenha informações individualizadas do paciente, a inteligência de dados permite conhecer de forma profunda o consumidor, construir melhores análises para o desenvolvimento de P&D, melhorar a comunicação entre os principais atores dessa cadeia e também o relacionamento com o cliente, buscando por inovações no atendimento que estejam de acordo com as expectativas do público.

Relacionamento
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Um exemplo interessante de como a tecnologia está trazendo inovação ao setor, que poderia ser explorado no Brasil, são as lojas de solução como o site Dr. Consulta que permite o agendamento de consultas online em diversos centros médicos onde são feitos os exames, check-ups e até cirurgias. O usuário do serviço escolhe o centro mais conveniente e realiza vários passos da sua jornada como paciente em um único lugar. Se esse formato fosse adotado em maior escala por empresas no País, poderia funcionar como uma alternativa ao Sistema Único de Saúde e servir para melhorar as condições de atendimento para milhares de pessoas. Este modelo de negócio pode ser usado na indústria farma, por exemplo, com a oferta de serviços digitais como sites, apps e sensores que tragam informações de qualidade, monitorem condições de saúde dos pacientes, ajudem na aderência dos tratamentos e se conectem com médicos e centros de atendimento. Assim, além de oferecer uma experiência completa ao paciente, alcançam-se melhores resultados terapêuticos.
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Uma nova indústria farmacêutica

Ou seja, o novo formato da indústria pós intervenção digital deve ser mais flexível, colocando a satisfação do paciente no centro da estratégia e criando produtos que ofereçam qualidade, eficiência e gerem retorno financeiro positivo. Por isso, as empresas tradicionais devem reorientar seus negócios para o digital. Quem não quer perder competitividade e ficar para trás no mercado, deve acelerar esse processo o mais rápido possível.

“As melhores companhias – aquelas que chamamos de Digirati – combinam a atividade digital com forte liderança para transformar a tecnologia em inovação. Isso é o que chamamos de Maturidade Digital. As empresas variam em sua maturidade digital e essas que são mais maduras superam aquelas que não são”.
George Westerman, Didier Bonnet and Andrew McAfeeThe Nine Elements of Digital Transformation

E o caminho para essa transformação em uma empresa começa pelo entendimento do nível de maturidade digital que ela já possui, avaliando a sua presença digital e o alinhamento das estratégias de negócios com a tecnologia e a inovação. Em seguida, é preciso entender os principais business drivers e analisar a cadeia para identificar oportunidades a fim de gerar ainda mais valor ao mercado.

Depois de alcançado esse novo modelo de negócio, a indústria abre caminho para inúmeras formas de se posicionar não só como um segmento que tinha como objetivo o tratamento de enfermidades, mas também em direção à prevenção de doenças e potencialização da saúde, além da promoção da qualidade de vida. Portanto, as empresas farmacêuticas que permanecerem competitivas nos próximos anos farão parte de um novo perfil que surgirá; mais colaborativo, integrado com diferentes atores do sistema de saúde, oferecendo soluções e não apenas medicamentos, e com um forte DNA digital. Que tal começar agora a sua transformação e garantir a sua futura vantagem competitiva?
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Podemos ver essa evolução em outras indústrias, porém como citado no texto, quando falamos de inovação em saúde temos uma grande barreira ao MVP, porque se solução/produto estiver atrelada a uma cura ou manutenção de determinada doença, o período de validação pode acarretar em agravo dessa doença.
Além disso, eu tenho observado que as empresas no geral, principalmente aquelas mais a frente em inovação, tem transformado seus produtos em serviços, pois dentro desses eles encontram grandes diferenciais, principalmente quando falamos em experiência do cliente. Isso inevitavelmente vai acontecer no setor da saúde também, a questão é quando e como!

Via
linkedin.com/pulse

André Marques dos Santos

Uma pessoa viciada em tecnologia, formado em Farmácia-Bioquímica pela USP e com muito afinidade pelo empreendedorismo. Procuro ampliar meus conhecimentos seja através de livros, cursos ou até mesmo ajudando outras pessoas e me desafiando durante esse processo. Atualmente amplio meu conhecimento em gestão e desenvolvimento de negócios para poder ajudar startups crescerem no mercado da saúde.