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Notícia

Choosing Wisely – O paradigma de que menos é mais

by André Marques dos Santos 1.042

Antes de falarmos sobre a Choosing Wisely é interessante abordarmos um pouco sobre o tema Medicina Baseada em Evidências (MBE). A MBE é uma abordagem que utiliza as ferramentas da epidemiologia clínica, da estatística, da metodologia científica e da Informática para trabalhar a pesquisa, o conhecimento e a atuação em saúde, com o objetivo de oferecer a melhor informação disponível para a tomada de decisão, ela busca promover a integração da experiência clínica às melhores evidências disponíveis, considerando a segurança nas intervenções e a ética na totalidade das ações, de forma resumida a MBE é a arte de avaliar e reduzir a incerteza na tomada de decisão em Saúde.

Esse breve introdução serve para nos orientar quanto ao entendimento básico sobre a MBE e então voltarmos ao nosso assunto inicial a campanha Choosing Wisely, essa campanha iniciou-se no ano de 2012 através do American Board of Internal Medicine e expandiu-se para países como Canadá, Inglaterra, Alemanha, Itália, Holanda, Suíça, Austrália, Nova Zelândia e Japão.

Abaixo apresentamos alguns trechos retirados do site medicinabaseadaemevidencias (clique aqui para ler na íntegra) que descrevem um pouco essa campanha.

Esta iniciativa surge da percepção de que há falta de sabedoria na utilização exagerada ou inapropriada de recursos em saúde. Choosing Wisely é uma campanha que vai ao encontro do paradigma Less is More.

Seria impositivo e mal recebido se o American Board of Internal Medicine iniciasse uma campanha contra condutas normalmente adotadas por especialidades médicas. Desta forma, ao invés de criticar os especialistas, a responsabilidade da auto-crítica foi dada a eles. Assim, foi solicitado às especialidades que apontassem condutas médicas correntes que não deveriam estar sendo adotadas. Isto obrigou os próprios especialistas a refletirem e contra-indicarem suas próprias condutas fúteis.

Outro aspecto enfatizado pelos organizadores é que as recomendações do Choosing Wisely não têm o intuito primário de economizar recursos, mas sim de melhorar a qualidade da assistência, que deve ser embasada em evidências, aumentando a probabilidade de benefício e reduzindo o risco de malefício à saúde dos indivíduos.

O ônus da prova está no desempenho (eficácia) e utilidade (relevância) de uma conduta. Assim, os seguintes motivos podem justificar que não se adote certas condutas:

  1. Terapia prejudicial – isso é óbvio, portanto não é o foco principal do Choosing Wisely.
  2. Terapia desconhecida quanto à sua eficácia (não há demonstração) – há tantos exemplos de condutas que fogem à plausibilidade extrema, porém são adotadas sistematicamente, baseadas em crenças.
  3. Terapia comprovadamente ineficaz, embora segura – isso também se faz, pois muitas vezes ensaios clínicos negativos não são valorizados por irem de encontro a nossas crenças.
  4. Testes diagnósticos ou prognósticos aplicados em situações inúteis (fúteis), trazendo resultados potencialmente prejudiciais (overdiagnosis).

O Dr. Luis Cláudio Correia realizou uma entrevista com o Dr. Aseem Malhotra que é um dos responsáveis na implantação do Choosing Wisely no Reino Unido.

[Fonte]
medicinabaseadaemevidencias
choosingwisely

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André Marques dos Santos

Uma pessoa viciada em tecnologia, formado em Farmácia-Bioquímica pela USP e com muito afinidade pelo empreendedorismo. Procuro ampliar meus conhecimentos seja através de livros, cursos ou até mesmo ajudando outras pessoas e me desafiando durante esse processo. Atualmente amplio meu conhecimento em gestão e desenvolvimento de negócios para poder ajudar startups crescerem no mercado da saúde.