ATsaúde - Tecnologia em prol da saúde

Notícia

Blockchain e o futuro do trabalho (e dos dados) em saúde

by André Marques dos Santos 278

Após a participação da nossa equipe no BLOCKSPOT CONFERENCE LATAM 2018, nos deparamos com uma publicação muito interessante no linkedin sobre blockchain e o valor dos dados. Abaixo reproduzimos o conteúdo na íntegra.

— início
Você aí, da área de saúde, que nunca ouviu falar sobre blockchain em plena era da transformação digital, vai rapidinho no google e procura sobre. Por que? Oras, porque o futuro da organização de dados e informações em saúde está “praticamente” resolvido com o Blockchain. E além disso, novas profissões serão criadas por sua causa.

Hoje um dos maiores problemas, seja nos obsoletos sistemas de informação em saúde do governo, seja nos caríssimos softwares de prontuários eletrônicos, é o processo de aquisição de dados. Problemas dos mais variados tipos: sub-notificações, latência e duplicidade tudo gerando grandes bases de dados inconsistentes e imprecisas. Bases essas que serviriam para a tomada de decisão dos formuladores de políticas públicas para saúde ou para orientar processos dos gestores de saúde privada.

Bases de dados inconsistentes e imprecisas.

A demora na extração de conhecimento de bases de dados relacionadas à saúde podem ter repercussões drásticas. Sem exagero, pessoas podem adoecer e até morrer mais por falta de informações oportunas. E na verdade é isso o que acontece atualmente. Novamente, a questão não é se os sistemas são públicos ou privados. Em ambos os setores existem gargalos e não saber informações importantes num tempo oportuno podem comprometer a vida das pessoas.

Há algum tempo realizar predições de cenários de saúde têm sido uma busca constante de vários grupos, em vários segmentos. Mas um trabalho recente publicado por Mamoshina e cols chamou minha atenção, criando um uso prático e relevante de uma tecnologia que vem sendo bastante falada nos últimos meses.

Estratégias de crowdsourcing em saúde tentam resolver parte dos problemas, mas esbarram no item principal e não resolvido: ENGAJAMENTO. A aderência de usuários a um informe sistemático e periódico de seus dados, em troca de incentivos modestos ou até mesmo gamificação, fica comprometida por não existir uma rede que garanta algo mais tangível em troca.

Alternativa? Blockhain!

Esse paper https://bit.ly/2utJznY mostra um modelo muito interessante de aplicação de blockchain para coletar dados em saúde: utilizando o framework Exonum, o cidadão comum faria o upload de seus dados de maneira anônima, permitindo que outras pessoas comprassem o acesso a estes utilizando uma precificação transparente. O fluxo envolveria: (1) Usuários – pessoas comuns, vendendo seus dados biomédicos; (2) Compradores – empresas ou interessados a comprar dados dos usuários e prover resultados dessas análises para os usuários; (3) Validadores de dados – experts que seriam os primeiros compradores dos dados; e (4) Usuários de LifePound – um market place de criptomoedas para pagar os usuários. Veja na figura abaixo retirada do paper como a estrutura é demonstrada:

O engajamento nesse caso seria a troca dos dados por criptomoedas. Uma motivação financeira quase sempre é um bom fator de engajamento para pessoas continuarem motivadas a compartilhar, e neste caso, a venderem suas informações. De maneira consciente. Como existe a possibilidade da anonimização, o fator ético parece estar bem endereçado. E o elemento do validador de dados eleva a sensibilidade e especificidade das informações.

Validador de dados. Apesar de ser um nome estranho abre uma importante possibilidade dentro das profissões do futuro. Claro, se há necessidade de existir um ser humano com habilidades para entender e realizar “valuations” de data assets de indivíduos, a profissão de “Data Economist” talvez fosse a mais adequada para realizar este tipo de avaliação. E esse profissional seria formado por “Institutos de Pesquisas de Economia de Dados em Saúde”. Por causa da aplicação de uma tecnologia exponencial, um novo e inteiro nicho de mercado criado, ofertando novos empregos e corroborando para a mudança do paradigma de informações em saúde como mostra a seguinte figura:

Publiquei ano passado um paper que coloca em xeque quando haverá essa preocupação da academia brasileira em começar a fomentar estes tipos de debates, considerando todas as inovações que já se fazem presente em nosso dia a dia. Ainda é muito triste e desmotivador saber que debates sobre a utilização de blockchain em saúde e como isso repercutirá em novas áreas de atuação profissional ainda são escassos, para não dizer inexistentes. Mas seguimos fortes e otimistas sobre as mudanças. Afinal de contas, antes do tipping point sempre tem a fase deceptive.
— fim

Se interessou pelo tema? Dê uma olhada nas nossas publicações sobre blockchain:

O que a saúde pode aprender em um evento de blockchain? [Parte I]
O que a saúde pode aprender em um evento de blockchain? [Parte II]

Via
Linkedin – Onicio Leal Neto

André Marques dos Santos

Uma pessoa viciada em tecnologia, formado em Farmácia-Bioquímica pela USP e com muito afinidade pelo empreendedorismo. Procuro ampliar meus conhecimentos seja através de livros, cursos ou até mesmo ajudando outras pessoas e me desafiando durante esse processo. Atualmente amplio meu conhecimento em gestão e desenvolvimento de negócios para poder ajudar startups crescerem no mercado da saúde.